O SOLO COMO MEIO DE PRODUÇÃO VEGETAL

Um solo nasce do intemperismo de uma rocha formada por vários minerais que propiciam várias características. As alterações naturais do solo ocorrem devido a ação da chuva e da temperatura, modificando suas propriedades químicas e físicas. Ainda assim, o homem aprendeu a manejá-lo e tornou-se mais produtivo.  Para que seja possível um manejo adequado é necessário compreender a química do solo e a disponibilidade de nutrientes. 

Por tanto, a fase sólida do solo é composta por uma fração mineral (óxidos de Fe e Al, caulinita, sílica entre outros minerais) e parte orgânica (húmica, ácido fúlvicos e húmicos), conferindo propriedades físicas (porosidade, retenção de água, coesão de partículas…) e químicas (retenção de nutrientes e acidez) ao solo. Algumas dessas propriedades dão origem às cargas elétricas, que estão diretamente relacionadas ao complexo coloidal do solo. 

Mas o que é esse complexo coloidal? 

São pequenas partículas com grande superfície específica (coloides), que podem ser inorgânicas (argilominerais) ou orgânicas (substâncias húmicas). Em solos tropicais cauliníticos e oxídicos, possuem geralmente, menor superfície específica em relação aos solos de regiões temperadas. A matéria orgânica (MOS) contribui significativamente para o valor da superfície específica média do solo de um determinado local.

Em geral os colóides do solo são eletronegativos, com cargas negativas, podem apresentar cargas positivas em menor quantidade. O excesso de carga solúveis negativa dos colóides proporciona a aproximação de íons carregados positivamente (Ca2+, Mg2+, K+, Na+, NH4 + etc.) por mecanismo de atração eletrostática denominado de ligações eletrostáticas ou iônicas (ligações de baixa energia). Essa habilidade denomina-se de capacidade de troca catiônica (CTC), que é um dos atributos químicos mais importantes do solo. Quando esses colóides apresentam excedente de cargas solúveis positivas, íons de carga negativa (SO4 2-, MoO4 2-, NO3 –, Cl) irão se aproximar desses colóides pelos mesmos mecanismos de atração eletrostática e os colóides apresentarão capacidade de troca aniônica (CTA). Na maioria dos solos, predomina um balanço de cargas elétricas negativas. 

É crescente a preocupação nacional e mundial com a sustentabilidade da produção agrícola, por tanto, o conhecimento do manejo químico, físico e biológico do solo são ferramentas essenciais para obtenção de bons resultados de produtividade das culturas de forma sustentável.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MELLO, F. de A.; BRASIL SOBRINHO, M. de O. C.; ARZOLLA, S.; SILVEIRA, R. I.; COBRA NETO, A.; KIEHL, J. de C. Fertilidade do solo. São Paulo: Nobel, 1983. 400 p.

NOVAIS, R. F.; SMYTH, T. J. Fósforo em solo e planta em condições tropicais. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 1999. 399 p.

NOVAIS, R. F.; MELLO, J. W. V. Relação solo-planta. In:NOVAIS, R. F.; ALVAREZ, V. H.; BARRO S, N. F.; FONTES, R. L. F.; CANTARUTTI, R. B.; NEVES, J. C. L. (ed.). Fertilidade do Solo. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, p. 133–204, 2007.

Texto elaborado por:

Hellen Cristina de Freitas- Eng. Florestal. Esp. Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas